DIRETRIZES PARA ATUAÇÃO
INSTITUCIONALIZAÇÃO DA MEDICINA CHINESA
O CRAERJ tem como uma de suas prioridades a luta pela Institucionalização da Medicina Chinesa no Brasil.
Através do apoio e a participação no processo de desenvolvimento e consolidação de valores, idéias, conceitos, instituições e práticas no campo da medicina chinesa, o CONBRAC - Conselho Brasileiro
de Acupuntura e, no Estado do Rio de Janeiro, o CRAERJ, contribuem para a institucionalização da Medicina Chinesa no Brasil e luta pela garantia de direitos dos Acupunturistas brasileiros.
Neste processo de institucionalização, se destaca a defesa e a consolidação da autoregulamentação da profissão através da qual o CONBRAC e o CRAERJ avaliam criteriosamente e certificam aqueles acupunturistas de todo o país que demonstram uma sólida formação na prática da Acupuntura Tradicional Chinesa, legitimando-os perante a sociedade e assegurando à população brasileira uma maior confiabilidade na prática responsável da Acupuntura. A certificação indica que o acupunturista foi reconhecido por seus pares. A certificação institucionaliza a medicina chinesa no Brasil.
O CRAERJ luta pela prática da Acupuntura vista como parte integrante da racionalidade médica conhecida como Medicina Tradicional Chinesa, que opera a partir de uma concepção holística do ser humano, onde cada pessoa é tratada como um indivíduo singular, com sua maneira peculiar de adoecimento. Este adoecimento é visto como um "desequilíbrio energético", que se manifesta em sinais e sintomas subjetivos e objetivos, observáveis diretamente ou através de exames patológicos.
A Medicina Chinesa trata a pessoa com um todo e, não, a doença. Segundo a Medicina Chinesa, uma mesma "doença" ocidental, identificada pelas modernas tecnologias de diagnóstico (radiografias, ultrassonografias, hemogramas etc), pode ser o resultado de diferentes síndromes ("desequilíbrios energéticos") ou combinações de síndromes.
Deste modo, o CRAERJ defende a aplicação dos fundamentos da Tradição da Medicina Tradicional Chinesa, diferenciando-se daqueles que visualizam a Acupuntura apenas como um instrumento auxiliar à prática da Medicina Ocidental Contemporânea, reduzindo-a a uma técnica subalterna dentro de cada uma das profissões da área de saúde.
O CRAERJ enfatiza o emprego da Acupuntura no tratamento orientado pelos princípios e pelas práticas do campo da Medicina Chinesa, recomendando ainda seu emprego como tratamento coadjuvante ou complementar àquele da Medicina Ocidental Contemporânea. Porém o CRAERJ não endossa o seu uso apenas como uma técnica eficaz, desenraizada dos princípios e das práticas do campo da Medicina Chinesa, nos tratamentos orientados pelos princípios e pelas práticas da Medicina Ocidental Contemporânea.
Dentro desta perspectiva, o CRAERJ destaca a importância de reapropriação da Tradição milenar da Medicina Chinesa, sua base filosófica Daoista, referenciada ao DÀO 道, YÌ JĪNG (I CHING) 易經, YĪN/YÁNG 陰陽 e WŬ XÍNG 五行 (Teoria das Cinco Fases ou dos Cinco Elementos).
Recomenda o conhecimento e a apreensão da Tradição através do estudo do Saber dos Clássicos da Medicina Chinesa.
Lembra a importância das idéias de SHÉN 神, JĪNG 精, QÌ 氣, XUÈ 血 e JĪN YÈ 津液 e a necessidade de incorporação dos conceitos de QÌ HUÀ 氣化 (Transformação de QÌ) e QÌ JĪ 氣機 (Circulação e Dinamismo de QÌ), base dos diagnósticos da Medicina Chinesa.
Deste modo, o CRAERJ luta pela institucionalização da Medicina Chinesa no Brasil buscando ampliar os horizontes dos praticantes da Acupuntura através do resgate dos fundamentos da Tradição na concepção e na prática cotidiana da Medicina Tradicional Chinesa