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PROFUNDIDADE DAS AGULHAS

 

 

 

A questão da profundidade de inserção das agulhas ilustra bem dois entendimentos diferentes quanto ao funcionamento da Acupuntura.

Na “visão científica” ao estilo da escola “Traditional Chinese Medicine”, as agulhas são inseridas profundamente e fortemente manipuladas em oposição ao estilo tradicional onde predomina a inserção rasa das agulhas. Este estilo moderno decorre da visão de que o efeito da acupuntura está associado, de alguma forma, ao sistema nervoso e às terminações nervosas.

No estilo clássico, a inserção tende a ser mais superficial, variando-se a profundidade, a maneira de inserir e de retirar as agulhas de acordo com o tipo de QÌ 氣 que se deseja mobilizar e a forma de atuação sobre o mesmo. Fica claro que a terapêutica difere em função do paradigma de referência.

Analisando esta questão, BIRCH e FELT elaboraram uma tabela, apresentada a seguir, comparando a incidência do número de pontos em cada faixa de profundidade de inserção das agulhas de Acupuntura recomendada em textos históricos e em textos da escola “Traditional Chinese Medicine”.

 

TEXTOS
PROFUNDIDADES EM CUN
0,1-0,3
0,35-0,6
0,65-1,0
1,1-1,5
1,6-3,0
CLÁSSICOS
Zhen Jiu Jia Yi Jing (282)
171
113
51
5
9
Tong Ren Shu Xue Zhen Jiu To Jing (1027)
182
94
47
1
1
Zhen Jiu Ji Sheng Jing (1220)
196
89
50
0
1
Zhen Jiu Ju Ying (1529)
186
99
45
1
2
Zhen Jiu Da Cheng (1601)
191
96
48
1
2
MODERNOS
Essential of Chinese Acupuncture (1980)
58
151
136
12
1
Acupuncture. A Comprehensive Text (1981)
18
41
138
121
41
Chinese Acupuncture & Moxibustion (1987)
25
165
158
8
2
Fundamental of Chinese Acupuncture (1988)
74
156
117
8
1

Fonte: Ver Stephen BIRCH e Robert L. FELT, Understanding Acupuncture. London: Churchill Livingstone, 1999, p. 53 e 54. Gráfico extraído do Projeto de Tese de Doutorado de Dennis Linhares e elaborado a partir da referida tabela.

 

Esta tabela demonstra uma tendência geral a uma menor profundidade de inserção das agulhas nos clássicos. Para facilitar a visualização, transformamos esta tabela no gráfico apresentado acima.

Este gráfico mostra as diferentes profundidades recomendadas pelos diversos clássicos da Medicina Clásssica Chinesa comparadas com as profundidades sugeridas nos livros chineses produzidos depois da re-institucionalização da Medicina Chinesa, particularmente a Acupuntura, pelo governo de MAO ZE DONG, após a vitória da revolução em 1949.

Para cada faixa de profundidade foram registrados o número de pontos daquela faixa.

Para cada texto e para cada faixa de profundidade, foram computados os números de pontos naquela faiixa.

Examinando-se o gráfico, vê-se que, nos textos clássicos, predominam os pontos mais superficiais (linhas azuis, verde e violeta), enquanto nos textos modernos predomina a inserção mais profunda (linhas laranja, amarela, vermelha e marron).

Nos textos clássicos, a maioria dos pontos são inseridos a menos de 0,8 Cun. Cinquenta e um (51%) dos pontos são inseridos no máximo de 0,1 a 0,3 cun. Vinte e nove (29%) dos pontos são inseridos no máximo de 0,35 a 0,6 cun. Ou seja, 80% dos pontos não passam de 0,6 cun de profundidade.

Nos textos modernos, apenas 48% dos pontos situam-se na faixa de 0 a 6,5 cun. Veja os totais de pontos e os porcentuais .......

Num texto moderno ilustrado com figuras anatômicas, o Anatomical Atlas of Chinese Acupuncture Points, 1982, documento oficializado pelo The Cooperative Group of Shandong Medical College & Shandong College of Traditional Chinese Medicine para divulgação no ocidente, em todas as suas ilustrações indica a localização das terminações nervosas e até onde as agulhas deveriam penetrar junto às mesmas.